O Yoga fez seu primeiro influxo na consciência Americana em Concord, MA em 1841 por intermédio de um grupo de filósofos conhecidos como Transcendentalistas. Ralph Waldo Emerson, Henry David Thoreau, e Bronson Alcott, para nomear os principais, começaram a ler e estudar os Upanishads, a Bhagavad Gita, e alguns outros textos yôguicos através das traduções para o inglês por W.B. Yates e outros.
Os filósofos americanos ficaram fascinados e foram profundamente influenciados pelos altos ensinos dos Upanishads indianos, tal como se evidenciou posteriormente em seus manifestos sobre a vida religiosa, a desobediência civil e a educação. Para os antigos yôgues, como também para os Transcendentalistas, a realidade central é a da força da alma que deve ser respeitada e permitida a se manifestar em harmonia com o corpo e a mente.
Henry David Thoreau, que levou uma vida de reclusão e renúncia nas florestas por dois anos, estudou a Bhagavad Gita todos os dias durante aquele período. Muito embora as asanas, mantras ou técnicas de respiração não tivessem sidos introduzidos no Ocidente ainda, ele percebeu intuitivamente o tremendo poder da yoga e a praticou diligentemente. Em 1849, escreveu a um amigo: “Acontece que, rude e descuidado como sou, eu praticaria yoga fielmente. Em certo sentido, em raros intervalos, até mesmo eu sou um yogi”.
A influência dos Transcendentalistas na psique Americana foi enorme, e ainda reverbera nos dias de hoje.
Foi apenas uma questão de tempo até que um mestre yogi em carne e osso pusesse seus pés no solo Americano para dar vida e vibração aos ensinamentos yôgues. Em setembro de 1893 foi realizado o primeiro Parlamento Mundial de Religiões em Chicago, IL. Swami Vivekananda (1863-1902), um jovem e dinâmico monge da Índia, foi um dos oradores finais. A força de suas convicções e a vastidão spiritual da Eterna Tradição levou a América, e depois a Europa, a uma tempestade. Onde quer que fosse, o “Swami Tornado”, tal como a imprensa o chamava, estabelecia firmemente as lições da Vedanta no Ocidente, revelava as conquistas espirituais singulares de seu amado mestre Ramakrishna Paramahamsa, e fazia yoga ser uma palavra caseira.
No mesmo Parlamento Mundial das Religiões, Soyen Shako Roshi, o primeiro mestre Zen a visitar a América, plantou as primeiras sementes do budismo no Ocidente.
Em 1902, um jovem monge yogi chegou a São Francisco para dar ensejo a uma série eletrizante de palestras. Swami Rama Tirtha (1873-1906), um yogi realizado e mestre da Vedanta, era também um renomado professor de matemática que sabia perfeitamente como combinar a linguagem da ciência e do espírito. Sua obra prima, In Woods of God-Realization (Nas Florestas da Realização-Divina), contém a quintessência dos preceitos yôgues e filosófica vedantina, como também sublimes poesias místicas e contos de sabedoria.
Em outubro de 1920, o jovem Swami Yogananda Giri (1893-1952) deixou a Índia para comparecer ao Congresso Internacional dos Religiosos Liberais em Boston, Massachusetts. Sua fala sobre “A Ciência da Religião” foi tão bem recebida e amplamente impressa, que ele passou o resto de sua vida na América, portanto se tornando o primeiro professor spiritual indiano a residir permanentemente no Ocidente. Seu destino e missão haviam sido premeditados pelo grandioso Babaji Maharaj, o qual o comunicou ao seu discípulo Lahiri Mahasaya em 1894, “Em alguns anos madar-lhe-ei um discípulo a quem você poderá treinar para a disseminação da yoga no Ocidente. As vibrações vindas de lá, oriundas de muitas almas buscadores espirituais, vêm a mim como uma enchente. Percebo santos em potencial na América e na Europa, esperando serem despertados”. Esse discípulo era Paramahansa Yogananda, o qual veio a escrever o clássico “Autobiografia de um Iogue” que apresentou os antiqüíssimos ensinamentos da Kriya Yoga (conhecida como “a mãe de todas as yogas” na Índia) em termos científicos, que apelou enormemente para a consciência cartesiana do Ocidente. Atendendo a solicitação de Babaji Maharaj, Paramahamsa Hariharananda (1907-2003), um co-discípulo de Paramahamsa Yogananda, veio ao Ocidente em 1974, uma vez que Babaji sentiu que a consciência ocidental houvera agora evoluído o bastante para receber os ensinamentos completos da Kriya Yoga.
O moderno movimento de hatha yoga (erroneamente conhecido simplesmente como “yoga”) iniciou-se na América com Hollywood, quiçá não surpreendentemente, quando a russa Indra Devi, chamada de “primeira dama da yoga”, inaugurou um estúdio de yoga em Hollywood em 1947. Suas aulas atraíram muitas estrelas de cinema e ela treinou centenas de professores de yoga. A Califórnia, terra dos experimentos, estava por se tornar a grande incubadora da yoga para o Ocidente. Até hoje, a maioria dos grandes professores de yoga vindos da Índia já estiveram lá.
Mas não foi antes dos anos 60 que a hatha yoga atraiu as massas. Quando os Beatles viajaram a Rishikesh, a santa cidade do Himalaia, no meio da década de 60, eles conheceram Maharishi Mahesh Yogi que os ensinou yoga e Meditação Transcendental. Beatlemania e adoração à celebridade fizeram o resto. Um contínuo fluir de professores de yoga oriundo da Índia chegava como nunca antes à Europa, Austrália e às Américas.
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