Baba tinha um amor especial por Viena. Ele comumente dizia que Viena era um ponto de cruzamento de culturas e civilizações por sua localização geográfica. Como servia de importante ponto de passagem entre países entre os blocos ocidentais e orientais, tanto quanto entre os países mediterrâneos e os outros ao norte, seria lá um lugar ideal para o seu ashram, onde ele incessantemente trabalhava para unir religiões e trazer harmonia para todos os povos. Mas pode ter havido algumas outras razões místicas pelas quais Baba, aos seus 89 anos, escolhesse Viena para transformá-la em quartel general de suas missões Européias. Assim com se existisse ...“Alguma coisa no ar”.
Uma vez, durante uma de suas visitas a Viena, Baba se adoentou seriamente e foi levado a uma clínica. Um dia, enquanto lá se recuperava perguntou ao seu querido discípulo Swami Prajñanananda quem havia vindo visitá-lo, “Você escuta algo de diferente neste lugar?”
Baba, sempre ligado ao Som Divino emanado do Aum ou Palavra de Deus, pareceu genuinamente surpreso em notar que lá, em Viena, o Som Divino soou diferente de todos os outros países que ele havia visitado.
“Sim, Baba, é verdade. Aqui o Som tem uma qualidade diferente”, respondeu o discípulo.
“Ah, eu também senti isso, mas não estava certo se era devido à febre ou alguma outra coisa...” disse Baba com sua maneira única de sempre elogiar os outros, enquanto diminuindo seus próprios “insights” pessoais.
Quando Prajñananandaji me relatou o incidente, refleti que, realmente, Viena teve uma relação única com o som, raramente visto em outras cidades. Há de se considerar que esta foi a cidade de nada menos que Mozart, Haydn, Beethoven, Brahms, Schubert e Strauss!
Não estaria Baba adivinhando que a razão para tantas orquestrações musicais gloriosas do Oeste terem sido escritas e florescido nesta cidade, seja a peculiar configuração celestial que permeia o lugar?
Pode parecer a princípio um conceito estranho, mas se examinarmos as escrituras, veremos que todas as religiões afirmam que a criação começou com o Som. “No princípio...” diz a Bíblia (João 1:1), enquanto o Vedanta afirma que o universo surgiu da “shabda”, ou Som Primordial. A Yoga descreve este som como anahata dwhani, “o som do sino não badalado”, enquanto os Sufis chamam-no de Saut-i-sarmadi, “a música sem começo ou fim”.”
O misticismo indiano vê o mundo, e nossos corpos, banhados em
eterno e sagrado curso sonoro. Uma vez, Baba me disse que todos os antigos instrumentos musicais foram criados num esforço de reproduzir este Som Divino, ouvido pelos yoguis na profundeza de suas
meditações. Os Upanishads e várias escrituras yoguis realmente descrevem muitos sons místicos associados a diferentes chackras do corpo, em termos de instrumentos musicais como tambor, conchas,
sinos, flautas, liras, etc.
Não teria Viena herdado uma qualidade sonora especial que poucos artistas, dotados de sensibilidade especial, tenham sido capazes de perceber e manifestar através de suas composições musicais? |